Experiências de um intercâmbio

Setembro 17, 2008

No dia 7 de julho os jovens do Juniakai Campinas partiram para o Japão com o objetivo de conhecer o país que tanto admiram e conseguir o máximo de contatos para aproximar mais os dois países. Oficialmente o grupo ficou 14 dias no Japão, porém quatro jovens ficaram mais 10 dias para participar de um wokshop com o grupo de taikô Kodo, em Niigata. E o coordenador do grupo, Akira Komiyama, aproveitou o país por mais 15 dias.

Os 14 dias oficiais foram divididos em 3 partes: 09 a 12 de julho Tóquio, onde puderam conhecer o tradicional bairro de Asakusa, o bairro tecnológico de Akihabara, Shibuya o ponto de encontro dos jovens japoneses, Shinjuku com seus telões gigantes nos prédios, a Nippon Foundation que fornece bolsa para nikkeis da América Latina, a sede Internacional da Seicho-No-Iê, o Parque Imperial e o Museu de Edo. Do período de 13 a 15 estiveram na Região do Monte Fuji onde puderam treinar com o grupo de Taiko “Fugaku Taiko” e escalar durante a noite o Monte Fuji até o topo para ver o sol nascer. E por fim, de 15 a 22 o grupo esteve me Gifu, cidade co-irmã de Campinas, onde reencontraram o prefeito de Gifu, Shiguemitsu Hosoe, conheceram o Castelo de Gifu, o Museu da História da cidade, fizeram intercâmbio com escolas e esportistas, passearam pelo Rio Nagara, onde conheceram a pesca com aves cormorões (Ukaibune), e passaram dois dias em casas de famílias japonesas.

Depois de todo esse período em que os jovens puderem ter contato direto com a cultura japonesa e de todo o trabalho para que a viabilização deste sonho se tornasse realidade, o Folha Obara, acha mais do que justo cumprir com sua palavra e ofereceu aos 26 jovens, espaço para que eles próprios relatassem quais as experiências trouxeram na bagagem de volta e o que vão guardar para o resto de suas vidas. Como eles possuem muitas experiências, vamos destacar pontos diferentes de 20 desses jovens intercambistas. Os depoimentos na íntegra os leitores podem conferir no www.folhaobara.wordpress.com

TEXTOS DOS JOVENS
Alexandre Katao, 17 anos: “Uns dos fatos que mais me impressionou foi o respeito que os japoneses têm pelo ambiente em que vivem, não há lixeiras nas ruas, mas também não há lixo jogado no chão; A pontualidade também é de admirar, nem os trens chegavam atrasados, era na hora e no minuto exato; A importância do cumprimento, que muitas vezes evita conflitos. A saudade do Japão é tão grande que dá até vontade de largar tudo e voltar pra lá, mas isso é muito difícil. Então, por que não tentar mudar um pouco o nosso jeitinho brasileiro, trazendo um pouco do Japão pra cá, mudando simples gestos como esses, quem sabe até criar um ‘espacinho’ japonês no nipo. E com certeza ficará guardada na memória a imagem da lua, no início da subida, estava tão brilhante, grande e maravilhosa, e todas as paisagens do Fugi-Sama, todo apoio recebido pelo Mau, Ryu e pela Nélia desde a chegada ao Nihon, valeu, Grupo 9! O Palácio Imperial, sem palavras pra descrever, só vendo mesmo. E principal mente toda ajuda que os pais nos deram, realmente será inesquecível. Muito Obrigado!!!”

Denise Sayuri Tukada, 17 anos: “Bom humor e educação. Os japoneses eram todos muito educados, mesmo sem conhecer eles nos cumprimentavam, sempre de bom humor, sendo nas ruas, no monte Fuji, nos alojamentos. Era muito gratificante receber um bom dia ou um sorriso seja de quem fosse. Lixo. Era raro encontrar lixeiras nas ruas, e o mais incrível : não havia nenhum lixo jogado por lá, nenhum mesmo. Esse é um ponto que devemos rever aqui no Brasil. A pontualidade foi uma característica que também chamou atenção. Vimos que as pessoas eram bastante preocupadas com o horário de seus compromissos. Por exemplo : os ônibus e trens chegavam sempre antes do horário determinado. No nihon aprendi que dizer bom dia ou apenas dar um sorriso podem fazer o dia do outro ser melhor, que pequenas coisas podem fazer a diferença. Aprendi coisas que jamais me esquecerei. Valeu a pena, cada segundo”.

Eduardo Hideyuki Oguri Yamashita, 15 anos: “A experiência que tenho para passar para meus amigos sobre esse intercâmbio é mostrar como podemos utilizar a cultura japonesa em nossas vidas, muitas vezes nos enganamos no modo de utilizar, pois pensamos que a cultura japonesa é simplesmente começar a participar das coisa que são relacionadas a ela, mas é muito mais do que isso. No Japão aprendemos a cumprimentar todas as pessoas mesmo sem conhecer elas, aprendemos a ser mais organizados, pontuais,a não jogar lixo no chão, sempre sorrir e ser atencioso com todos mesmo estando nos seus dias chatos, essas são uma das coisas que aprendemos, isso sim é utilizar a cultura japonesa corretamente. Muitas coisas vão ficar guardadas na memória entre elas: as pessoas de lá, a subida do Fuji-sama, os costumes japoneses, os lugares que visitamos, home stay, os metrôs, a comida ou seja a viagem toda vai ficar para sempre guardada na memória e no coração”.

Fernanda Perez Geromel, 13 anos: “Eu esperava desde pequena por este intercâmbio, era o meu sonho. Quando o Akira veio para falar que eu estava entre os escolhidos, eu quase saí gritando feito uma louca de tão feliz…!! Cada dia que se passava eu ficava mais feliz de que estava realizando um sonho. Quando eu olhava um avião no céu, eu arrepiava, pois eu pensava: Nossa… um dia eu vou estar lá em cima… No campeonato (de Taikô), eu me senti muito, muito feliz. Eu estava hà um dia do meu sonho, e hà uma hora de mostrar a música do nosso grupo. Foi maravilhoso. E no dia seguinte foi melhor ainda, mais eu estava tão nervosa… Eu pensava que ainda estava apenas em um sonho…eu não tinha me tocado de que estava realmente realizando o que eu sempre quis na vida! Lá é tudo muito diferente. As pessoas, a comida, as casas, a cultura, até o banheiro é diferente! As casas tinham um ar agradável, a comida era muito boa, a cultura, os costumes de lá… por exemplo, falar ‘itadakimasu!’ ou ‘gochissosamadeshita!’ entre outras eram muito divertido!!  Mas o que mais me marcou foram as pessoas de lá, o sorriso agradável deles, sempre que falavam ‘ohayogozaimasu!’ ou ‘konnichiwa!’ ou até ‘konbawa!’ eu sentia uma energia muito forte e contagiosa, eu ficava muito muito feliz!! Também me marcou muito o Fuji-san. Ele tem alguma coisa que atrai a gente, não sei bem explicar… Mesmo que a subida tivesse sido muuuuuito cansativa, mesmo que estivesse muito frio, todos continuaram a subir. Um ajudando o outro. Eu não consegui subir tudo, pois da oitava pra nona parada, eu disparei, forçei demais, porque eu queria muito alcançar uma pessoa e desejar força pra ela. Quando cheguei na nona parada eu não aguentava mais. Mas, mesmo depois de tudo isso, eu quero subir lá de novo, e vou até a última parada. Mesmo que talvez eu não vá nesse próximo intercâmbio, eu vou batalhar para ir de novo. Não precisa ser por intercâmbio…Eu quero aproveitar tudo o que eu não pude ver, quero sentir aquela sensação indescritível de lá novamente, nem que talvez tenha que ser quando eu tiver 80 anos, eu vou para o Japão de novo. Lá é um outro mundo, um mundo maravilhoso”.

Fernando Yoichi Tsukide, 18 anos: “Eu realmente percebi o quanto o nihongo é importante e que faz muita falta! Pelo menos o básico, todos, sem exceções, deveriam ter conhecimento da língua. A organização deles também me deixou muito impressionado! Estávamos em um mundo totalmente diferente do que vivemos. Foi nos pequenos detalhes que mudaram totalmente a minha visão e pensamento sobre a sociedade japonesa. Era muuito mais do que eu esperava!!! Exemplos: lá, não só os carros mas os pedestres e ciclistas respeitam a regra da faixa da esquerda em todos os lugares, as linhas de trem sempre cumpriam seus devidos horários, o respeito e a consciência da reciclagem do lixo eram muito rigorosos, bicicletas e animais de estimação também tinham documentos, e muitas outras coisas que deixariam qualquer um impressionado”.

Gustavo Eiki Nakandakari, 15 anos: “Acredito que algo para se compartilhar com os amigos depois do intercâmbio é uma das características mais marcantes dos japoneses: Organização. Em todos os lugares que visitamos, sempre nos deparávamos com uma recepção impressionante. As pessoas na entrada esperando pela nossa chegada, todas felizes pela nossa visita. Em lugares como escolas e museus haviam pessoas para nos levar aos lugares e explicar tudo sobre eles. No final das visitas eles ainda preparavam um lanche para nós. Sempre com muita pontualidade. Uma coisa que vai ficar guardada para sempre com certeza é a subida ao Monte Fuji. Uma subida muito cansativa e cheia de emoções. Para muitos parece ser só uma montanha, mas para os japoneses aquele monte representa muita coisa. Passamos por muitas dificuldades, pessoas passando mal e todos muito cansados. Ninguém pensava em desistir pois queriamos muito ver o nascer do sol no topo do Fuji. No final isso não aconteceu, acabamos chegando um pouco tarde, mas o conquista de chegar ao topo e as experiências vividas valeram muito a pena!”.

Paulo Akira Tukada, 14 anos: “Dentre muitas experiências que toruxe, as mais importantes para mim são: A pontualidade japonesa e a questão de não jogar lixo no chão. Os japoneses são muitos organizados, sempre acordam cedo para aproveitar o dia inteiro, e também são muitos pontuais chegam sempre na hora. É, no começo, sofremos um pouco com isso, mas no decorrer do intercâmbio fomos nos acostumos. No Japão além de serem pontuais, são bem higiênicos, lá difícilmente se acha um papel de bala de no chão, já nascem com a consciência que isso é ruim, é um pouco estranho porque não se acha latas de lixo, tínhamos que andar bastante para achar uma, pois eu teria vergonha de jogar lixo no chão. Mas aqui no Brasil tem bastante latas de lixo e muito lixo no chão, quer dizer que não temos consciência disso, mas isso pode mudar. O que sempre vou guardar na minha memória, vai ser a subida ao Monte Fuji, que para mim, aquele esforço de subir foi irreal, no meio da subida já estava quase desistindo, mas toda aquela dor desaparece quando se chega ao topo, você sente o ar de conquista, todo o esforço vale á pena, porque não tem como ser feliz sem sacrifício”.

Isabela Yuri Kataoka Volpato, 13 anos: “O Japão é um lugar muito lindo, muito organizado, muito limpo. As pessoas são muito educadas, e respeitam um ao outro, mas também o próprio país. Todos se cumprimentam, mesmo sem conhecer, todos dão um sorriso à todos na rua. Sempre pedem desculpas se esbarrou ou bateu sem querer. É uma coisa muito boa, logo de manhã, os japoneses se cumprimentam, o que me deixou muito surpresa. Aqui no Brasil, as pessoas nem se olham direito na rua, todos passam reto e viram a cara. É isso, que queria que meus amigos começassem a fazer, assim melhorá o dia deles. O que vai ficar guardado na memória: A imagem do japonês: imagem de felicidade, de respeito, de honestidade, de simpatia com tudo e com todos. Todos os japoneses são pessoas ótimas, que se conversar, vê que são muito legais”.   

Júlia Beatriz Honda, 13 anos: “O Japão foi uma experiência inesquecível. Aprendi coisas valiosas que eu levarei para toda a minha vida. Uma das principais coisas, que mais me impressionaram foram as pessoas: com elas aprendi como faz diferença um ato de respeito, um bom dia, um boa tarde, um obrigada; e como é bom ser tratado com atenção! Também a atitude dos japoneses de querer sempre aproveitar ao máximo cada segundo da vida! Adorei essa atitude de aproveitamento! São atitudes que com certeza compartilharei com todos! Lá pude experimentar coisas que achei que nunca viveria: As situações mais diferentes; a primeira comunicação; os melhores momentos com meus amigos; cada observação; cada paisagem que apreciávamos juntos, as experiências do home stay. E principalmente todos os momentos da grande subida no monte fuji, todo o apoio, toda a união, e o momento em que colocamos nossos pés lá em cima. Somente queria dizer a todos: Arigatou Gozaimassu”.

Kaue Tsukada Sasaki, 14 anos: “Ficará guardado na minha memória os momentos em que os pais e os jovens batalharam para conseguir dinheiro, com a união de todos; todos os lugares em que eu fui e visitei; os costumes dos japoneses, desde não jogar lixo no chão, levantar todos os dias bem cedo e não ter preguiça de trabalhar o dia inteiro; a dedicação deles; ficará guardado cada “ohayoogozaimasu” com aquele sorriso enorme; também ficará na minha memória todas as pessoas que nos ajudaram no Japão; o homestay no qual fui muito bem recebido e que apesar de eu não saber nihongo gostei muito. As experiências de sempre estar sorrindo; sempre cumprimentar as pessoas; não jogar lixo no chão; sempre ser muito dedicado nas coisas em que fizermos; nunca ter preguiça de trabalhar ou de outra coisa e sempre buscar a perfeição”.

Keith Tsukada Sasaki, 12 anos: “Ficará na minha memória, o respeito que os japoneses tem com as outras pessoas, a organização deles, disciplina, etc.Também tudo aquilo que fizeram por nós (Prefeitura, Home Stay, Amigos que conhecemos, etc), as coisas que vimos, os lugares que visitamos (todos muito legais), pessoas que conhecemos, ou seja, tudo ficará na minha memória, tudo que fizemos, vimos, aprendemos lá no Japão. Espero que o intercâmbio nunca acabe. E também desejo voltar lá novamente!”.

Ken Okubo, 18 anos: “Desde a chegada em Narita (Tóquio), a cada dia me impressionava ainda mais com o Japão. “Disciplina, simpatia, respeito e esforço”. Aprendi com eles a ‘receita’ para progredir. Já tive a oportunidade de morar no Japão por 2 anos quando criança, mas não consegui conhecer tantas pessoas como foram nas duas semanas de Intercâmbio com os jovens do Nipo. Sem dúvida, o que mais me encantou foi a ‘energia’ que os nihonjins passam a todos. A mesma energia que ergueu o país após duas bombas atômicas durante a Segunda Guerra Mundial ou a que já faz 100 anos de história no Brasil. Após minha volta, decidi que quero levar adiante tudo o que aprendi. Que onde quer que esteja, vou ser capaz de mostrar ao próximo a ‘receita perfeita’ do Japão”.

Kevin Julian Nakabashi, 18 anos: “Logo que chegamos ao Japão já tivemos que nos adaptar com alguns costumes que geralmente não encontramos no Brasil. Um deles foi a organização dos japoneses pelas ruas, ou melhor, pelas calçadas, pois no mesmo lugar que passam pessoas que vão para um lado, tem que passar as que vão para o outro, mais as bicicletas, os idosos, os deficientes físicos, etc. Para resolver esse problema de tráfego descobrimos que eles fazem um esquema de divisão de lados, ou seja, cada um que passa deve ficar mais para o seu lado esquerdo, enquanto as bicicletas ficam no corredor que se forma no meio. Isso também é usado para evitar trombos, principalmente nas estações de trem, onde parece que todos estão com pressa e saem correndo como se a vida estivesse em perigo. Nas escadas rolantes o esquema é um pouco diferente: ficam do lado esquerdo as pessoas que não estão com pressa, enquanto do lado direito as que não tem paciência e sobem rápidos os degraus. Outra coisa que é fácil perceber andando pelo Japão é a adaptação da cidade para atender às necessidades dos deficientes físicos. Nos centros há quilômetros de calçadas com relevo para orientar cegos, todas as máquinas de refrigerantes tem opções em braile, sem descartar os orelhões, que além de facilitar para os deficientes visuais, facilitam para os paraplégicos, que não precisam procurar os próprios para eles, pois todos são ajustados. Em todas as estações de trem tem elevadores para quem não consegue subir escadas, mostrando que o país se preocupa com todos os cidadãos. Desde cedo os japoneses aprendem a ser mais responsáveis, é muito fácil ver pelas cidades crianças muito pequenas indo sozinhas para a escola. Algumas, já mais velhas, utilizam o metrô para tal finalidade. Essa responsabilidade estimulada desde cedo faz com que certos valores aflorem mais rápido, como o respeito com a natureza e com o lugar onde vivem. Apesar de ser muito difícil encontrar uma lata de lixo pela rua, é praticamente impossível encontrarmos dejetos jogados nas vias públicas, e realmente muito raro observar atos de vandalismos. Todo lixo que é jogado é rigorosamente separado e selecionado, tanto em casa como nas ruas, e todas as pessoas realmente se importam em fazer corretamente, pois sabem que isso é para o bem delas e do resto da população”.

Mauro Felício Miyazaki D’Ianni, 17 anos: “Como muitos de meus amigos disseram: ‘O Japão é um país utópico’. Lá, aprendi muito sobre como é importante tratar bem todos a sua volta. Tratar bem desde um cumprimento, agradecimento e muitas outras regras de etiqueta que são seguidas por eles e que nós, brasileiros, deixamos de lado. Aprendi a dar menos valor ao material e sim à querer ser útil para os outros, como é gratificante ver o sorriso no rosto do próximo, causado por você em um ato aparentemente tão insignificante. Antes de ir para o Japão eu já me aborrecia ao ver lixo no chão por toda parte e, após minha volta, passei a me sentir ainda mais desapontado com a ignorância do povo brasileiro, não por culpa deles, mas sim pela deficiência educacional que lhes foi fornecida desde seu nascimento. Sinto que nos falta fraternidade. Jamais vou me esquecer do sorriso com que todos nos recebiam seja qual fosse o lugar que visitavamos, Nippon Zaidan (inclusive os bolsistas que realizaram um intercâmbio conosco), no alojamento em Gotemba, na subida e na descida do Fuji-san e em todos os lugares que fomos em Gifu, cidade maravilhosa que só me trazem boas lembranças. Japão: Um lugar maravilhoso onde vivem pessoas maravilhosas!”.

Michel Katsumi Nakanichi, 15 anos: “O Japão é um lugar incrível em tudo!!  As pessoas que respeitam as outras, sempres estão se cumprimentando mesmo não as conhecendo, é tudo muito organizado e la nós aprendemos como é importante chegar na hora certa. No ”homestay” foi engraçado por que eu nao sabia falar muito em japonês e nem muito em inglês, mas fui me virando até consegui contar algumas coisas de Campinas, e do Nipo, pena que consegui falar pouca coisa. O que mais me surpreendeu foram as pessoas que mesmo estando cansado ou bravos, eles sempre nos respondiam, ou comprimentavam com um sorriso. E também o monte Fuji, só consegui chegar ao topo graças ao amigos que sempre me ensentivavam a continuar principalmente no final que é a parte mais difícil. Mas tudo valeu a pena: o melhor nascer do sol da minha vida apesar de não chegarmos a tempo de ver o nascer do sol no topo mais mesmo assim vimos e nunca mais irei esquecer…. Tudo que nós aprendemos lá, como o horário que é muito importante, o respeito um com o outro, de contar o que vivemos lá, como foi o intercâmbio, e o que melhorarmos para que os futuros intercâmbios sejam cada vez melhores”.

Nicholas Matuzita Mizoguchi, 18 anos: “O intercâmbio fez com que o Bushidô (Código de honra dos samurais) ficasse mais claro para mim. Muitos resumem-no à seguinte frase: “Viva todos os dias intensamente, como se fosse o último”. Conheço pessoas que interpretam o Bushidô de maneira equivocada, vivendo desesperadamente, com medo de que o amanhã seja o último dia delas na Terra, o que é totalmente contra o Bushidô, que diz que se deve viver com honra, orgulho, sem arrependimentos. Em nossa viagem, pudemos observar muitos costumes dos japoneses que são admiráveis: A valorização do tempo, a atenciosidade, o sorriso a qualquer momento, entre outros. Todos eles foram herdados dos samurais, e portanto, do Bushidô. É possível observá-los em qualquer lugar, seja em lojas de conveniência, shoppings, escolas ou até mesmo no Mt. Fuji. Nunca irei esquecer a determinação das “obasans” que subiram o Mt. Fuji no mesmo dia que nós, o sorriso estampados em seus rostos, que nos cumprimentavam com carinho e ainda falavam “gambate nê!”. Desejo compartilhar com todos meus amigos os costumes japoneses, a cultura, o bushidô”.

Patrícia Hayashi, 22 anos: “O Japão é um país muito próximo e ao mesmo tempo muito distante de nós. Estamos ligados através de nossa descendência, mas conhecendo o país de perto, pude ver que Brasil e Japão são países bastante distintos. Quando chegamos lá, tudo era novo para nós… as pessoas, os lugares, as comidas, até pequenas coisas, como as maquininhas de suco e o vaso sanitário! (Risos). No começo enfrentamos muitas dificuldades para nos adaptarmos a um modo de vida tão diferente, mas com isso aprendemos muita coisa, como termos mais responsabilidade, pontualidade, disciplina e respeito. O que me pressionou foi a educação dos japoneses. Aprendemos os aisatsus (cumprimentos) com a Bano sensei e isso foi muito utilizado no Japão, pois sempre escutávamos e falávamos “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”. Sempre que entrávamos em lojas, restaurantes, os funcionários falavam “irashaimase”. O que vai ficar guardado na memória? Simplesmente tudo. Posso dizer que foi uma experiência única e inesquecível! É realmente difícil descrever em palavras tantas coisas que vivenciamos em tão pouco tempo. Todos os momentos com o pessoal ficarão marcados, principalmente a subida ao Fuji-san. Achei que não conseguiria, pois comecei a passar mal, mas quando olhei para trás, os meninos estavam me empurrando para cima. O Ken levou minha mochila super pesada. Quando cheguei no topo do Monte Fuji, percebi que não teria conseguido sozinha, mas com os amigos do lado, tirei forças não sei de onde pra chegar até o final. A vista lá de cima é maravilhosa! Mais do que lugares bonitos, comidas muito muito gostosas, as pessoas que conheci no Japão ficarão para sempre na minha memória. Mesmo com a grande dificuldade da língua (entendo pouquíssimo japonês), consegui fazer amizades através de mímicas e através do inglês. Fiquei feliz, pois fiz amizade até no avião! Os funcionários de Gifu também nos trataram muito bem e tiveram bastante paciência com a gente. Meu “home stay”, convivência com uma família japonesa, durou somente um dia, mas foi o suficiente para se tornarem especiais e foi uma das melhores experiências da minha vida. Posso dizer que “ganhei” uma família japonesa. Mantenho contato com várias pessoas que conheci lá até hoje e isso me deixa muito feliz. Agradeço de coração a todos!”.

Patricia Suzi Kushi, 14 anos: “26 jovens, um grande sonho, a responsabilidade e a alegria de participar do Juniakai, a emoção de ir ao país cuja cultura tanto amamos, e a expectativa da parte do grupo que ficou no Brasil, mas que foi fundamental para o Intercâmbio. Impressionou-me bastante a hospitalidade dos japoneses, nos ajudaram mesmo sem nos conhecer direito, mas já tinha ouvido dizer que eles eram frios e sérios demais, mas o que acontece é que prezam muito o respeito e a pontualidade. Pontualidade! Isso! Algo muito presente no Japão, tive alguns problemas quanto a isso nos primeiros dias..Mas depois me adaptei. Os jovens que conheci lá foram muito simpáticos, queriam saber diversas coisas do Brasil, do que tínhamos gostado mais de lá, o que fazíamos… O Mte. Fuji foi quando realmente nos superamos, indo além do que imaginávamos conseguir, demos força uns para os outros, mostramos a força do grupo. Foi difícil, descendo jurei nunca mais subir, mas depois bateu a saudade da sensação boa de estar lá. Depois, no avião, vi o Fuji-san, imponente, e a vontade de subir novamente veio, e parece que não vai passar. Temos que passar o que aprendemos para todos, para que a cultura japonesa no Brasil continue existindo, e se fortaleça ainda mais”.

Rodrigo Kiei Nakandakari, 17 anos: “Visitar o Japão foi uma experiência incrível. Lá, pude observar como os japoneses são pontuais, organizados e também muito educados e simpáticos. Todas as pessoas com quem conversei estavam sempre sorridentes, sem contar que eram super atenciosas. Quanto à pontualidade, se uma reunião era marcada para começar às 9 horas, ela começa às 9 em ponto, sem atrasos. Agora, vou me esforçar para ser sempre pontual e atencioso com todos. E uma coisa desse intercâmbio que nunca irei esquecer é a subida ao Monte Fuji. Durante a subida, passei frio como nunca havia passado antes, mesmo muito bem agasalhado. Quando já estávamos na penúltima estação, pensei em desistir, minhas pernas já não estavam agüentando, mas o desejo de chegar ao topo foi mais forte, e eu consegui! Quando estava lá em cima, tive uma sensação de felicidade, como se não tivesse que me preocupar com mais nada na vida. Com certeza, essa experiência vai ficar para sempre na memória!

Akira Komiyama, 32 anos: “Não foram os passeios e visitas que marcaram mais o intercâmbio dos jovens, foi a batalha para conquistar o direito de ir, a luta para arrecadar fundos para possibilitar que 26 jovens pudessem representar Campinas no Japão em pleno ano do Centenário. Foi vencer o desafio de subir o Monte Fuji até o topo, foi a garra de poder treinar taiko com um grupo do Japão aos pés do Monte Fuji, foi o orgulho de mostrar que os jovens do Brasil conhecem a cultura japonesa e ainda o preserva mesmo depois de 100 anos de Brasil. E mais ainda por ser reconhecido como um grupo muito especial, que pode ser referência mundial em grupo de jovens, como disseram os bolsistas da Nippon Zaidan em nosso encontro em Tóquio”.

“Ao conhecer o trabalho e as conquistas do grupo JUNIAKAI Campinas, tivemos a sensação de que muitos dos problemas dessas entidades são passíveis de serem solucionadas desde que seja efetuado um trabalho com os jovens a longo prazo e com objetivos concretos. Vê-los tão jovens e tão cheios de energia buscando seus sonhos foi uma injeção de ânimo para todos nós, pois achamos que jovens como vocês serão os grandes líderes da comunidade nikkei do futuro”, afirmou Robson Ryu Yamamoto, estudante brasileiro, que esta no curso de Doutorado em Agronomia na Universidade de Tsukuba através da bolsa de estudos oferecido pela The Nippon Foundation e um dos que recebeu o grupo em Tóquio.

Entry Filed under: Centenário, Fatos, Turismo. .

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  • 1. nelia miyuki nishihata  |  Setembro 22, 2008 at 4:22 pm

    saudades dessa turma, grandes momentos e aprendizamos que passamos juntos por aqui. caminhando pelas ruas de tokyo, esse pessoal reparava em coisas que meu olhar ja se acostumou a ver e que ja se passavam desapercebidas, me fez lembrar de quando vim pra ca pela primeira vez, aos 13 anos, retornando com valiosas lembrancas e vontade de estar aqui de novo…otsukaresama e nunca parem de sonhar!

    um grande abraco!
    nelia nishihata
    bolsista Nippon Zaidan – The Nippon Foundation

    Responder
  • 2. Robson Ryu Yamamoto  |  Setembro 23, 2008 at 4:23 am

    Parabens a toda familia JUNIAKAI-Campinas, pelo esforco e dedicacao, pela energia e vontade de fazer as coisas acontecerem sem esperar por milagres.
    Os frutos desse intercambio, ninguem sabera quando e como chegarah. A unica certeza que tenho eh que ele virah, muito maior e muito melhor do que todos possam imaginar…
    Voces serao referencia no mundo, e nos estaremos ajudando a divulgar o belo trabalho de voces!!

    um grande abraco, e saudades!!
    Robson Yamamoto
    bolsista da Nippon Zaidan e admirador do Juniakai-Campinas

    Responder
  • 3. Mauricio Sato - MAU  |  Outubro 1, 2008 at 5:06 am

    Eita turminha q deu trabalho aqui viu!!!! Ma um trabalho GOSTOSO e sem duvida mto DIVERTIDO tb.
    Os dias q estiveram aqui estarao sempre nas minhas lembrancas de Japao, os apuros q passaram, as coisas q aprenderam, as curiosidades e detalhes dos lugares q visitaram e tal.
    Pra mim foi como cuidar de um monte de “ototoS” e “imotoS”.
    Esperam q sempre mantenham essa cabeca de q vcs vieram aqui num pais de costumes e tradicoes diferentes e tentem aos poucos adaptar as coisas coisas boas aprendidas aqui ai pro nosso Brasil.
    Vamos tentar sempre manter vivo esse sentimento de orgulho em ser descendente de japoneses e espalhar cada vez mais isso a todos e tem interesse nessa cultura.
    Ensinar nossos filhos, netos e futuros descendentes tudo q sabemos do Japao e vivenciamos aqui.
    SAUDADE eh mto pouco pra descrever a falta q vcs fazem pro rapaz aqui viu!!
    Como disse a vcs, um dia vou ter minha casa aqui e vcs poderao vir sempre q quiserem, pra passear e tal.

    Um grande abraco e bjo a todos q fizeram parte dessa aventura inesquecivel.

    Mauricio Sato
    Dekasegi e amigo dessa turminha!!!

    Responder
  • 4. Gustavo  |  Outubro 17, 2008 at 3:51 pm

    Nossa…!!!
    Nunca conheci uma turma com tanta energia como aquela…!!!

    Como fala a Nelia…
    Lendo suas lineas…
    Ja teve esquecido tambem muitas coisas importantes …
    Japao tem isso de bom…
    Que tudo e diferente…
    Que da para bater mesmo com nossos defeitos…
    E virar melhores.

    Eu so pude compartilhar com o Juniakai umas poucas horas…
    Tal vez seja dificil de acreditar…
    Mas e dificil esquecer algo que ja esta no seu coracao.
    Gostei muito de aprender que nada e impossivel…
    So precisa de “kokoro”…!!!
    Obrigado por ter me ensinado seu “kokoro”…
    E uma coisa que nao esta em nenhum livro de medicina…

    So peco voces…
    Nunca esquecerem desse “kokoro”…
    Assim voces poderam chegar onde voces quiserem.
    Um forte abraco…!!!

    Gustavo Kishimoto
    Nikkei peruano
    Bolsista da Nippon Zaidan e kohai do Juniakai-Campinas

    Responder
  • 5. nikei  |  Novembro 8, 2008 at 3:03 am

    verdadeira historia centenario imigraçao japonesa esta nesse site http://www.imigracaojaponesa.com.br

    Responder

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