Autores japoneses traduzidos para o português
Junho 6, 2008
A tradução de obras de autores japoneses para o português pouco a pouco se torna mais freqüente no Brasil, algo que deve ser festejado, pois se já há várias décadas existem ótimas traduções de romances japoneses em inglês e francês, os leitores brasileiros foram privados de uma literatura rica e interessante por muito tempo.
Entre as traduções publicadas neste ano encontra-se o romance Eu sou um gato (Estação Liberdade, 488 págs., R$ 62,00), de Natsume Soseki, um dos mais renomados escritores japoneses. A história foi inicialmente publicada em capítulos no jornal literário Hototogisu em 1905 e fez grande sucesso junto ao público. O personagem principal é um gato recolhido por um professor que narra a vida da família de seu dono e critica os hábitos e a sociedade da Era Meiji de forma original e irônica.
Outra obra traduzida é Contos da palma da mão (Estação Liberdade, 496 págs., R$ 59,00), uma coletânea de 122 pequenos contos do ganhador do Nobel de literatura de 1968, Yasunari Kawabata. Eles variam entre uma ou quatro páginas e foram compostos entre 1923-1964. Apesar de concisos, são quase haicais com muitas belas imagens. O caráter efêmero da vida e dos relacionamentos humanos é um tema freqüentemente abordado por Kawabata.
Kafka à beira-mar (Objetiva, 572 págs., R$ 54,90) de Haruki Murakami, provavelmente o escritor japonês contemporâneo mais popular fora do Japão, traduzido em 34 idiomas, narra as aventuras de Kafka Tamura, um garoto de quinze anos que foge da casa de seu pai, e sai a busca de sua mãe e irmã em Shikoku. Paralela à história de Kafka, é contada a história de Nakata, um homem de 60 anos com um tipo de deficiência mental que consegue se comunicar com os gatos e cujo destino encontra-se, de certa forma, ligado àquele de Kafka.
Como em outros livros de Murakami, a história é permeada por elementos fantásticos e a solidão e o sentimento de inadequação dos personagens em um Japão contemporâneo são muito marcantes.
Três autores de gerações distintas, três livros que retratam a sociedade, os hábitos e as inquietações da sociedade japonesa.
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