Maki Maeda e suas experiências após intercâmbio
Maio 12, 2008
Maki Maeda é jornalista, formada pela PUC-Campinas, e durante um ano esteve no Japão fazendo intercâmbio. Em parceria com o Folha Obara, ela contou quinzena a quinzena, suas aventuras em terras orientais. Após o fim de sua experiência, e fim de sua coluna “Impressões de Maki Maeda diretas do Japão”, realizamos uma entrevista para que ela conte a todos nós suas experiências.
F. Obara – Ao todo, quantas vezes você já foi ao Japão? Quais os motivos a levaram às terras nipônicas?
Maki – Fui para o Japão cinco vezes. As três primeiras eu tinha 4, 6 e 12 anos, fui para visitar meus parentes que moram lá. Aos 21 anos fui fazer arubaito em estação de ski e agora aos 24 anos que fui estudar. Ir para o Japão trabalhar, estudar e passear são experiências completamente diferentes.
F. Obara – Quando começou seu intercâmbio e quando terminou?
Maki - Fui no fim de abril de 2007 e voltei no fim de marco deste ano.
F. Obara – Como foi o processo para conseguir uma bolsa?
Maki - Eu fui como Kempiryugaku de Toyama, ou seja, bolsista da província de Toyama. Fiz o
processo seletivo em 2006, mas não consegui passar, a outra candidata tinha um nível de japonês muito melhor do que o meu. Fiquei extremamente desapontada com o resultado negativo da bolsa, mas hoje vejo que tudo tem sua hora e aproveitei muito bem a bolsa, muito melhor do que se tivesse ido em 2006.
Já em 2007, eu estava com receio de não conseguir novamente e por isso estava procurando emprego também. Em janeiro comecei a trabalhar numa empresa em que tinha enviado meu currículo três vezes e duas semanas depois, recebi a resposta positiva da bolsa, foi uma decisão muito difícil.
O processo seletivo em si não é tão difícil, foi preciso escrever quais eram minhas intenções e expectativas com a bolsa e o que eu faria com meu aprendizado depois que voltasse, mas o processo seletivo depende de província para província e de bolsa para bolsa.
Para mais informações podem acessar www.asebex.org.br
F. Obara – Quais eram suas atividades como intercambista e de que forma um intercâmbio pode ajudar profissionalmente?
Maki - Eu fiz algumas apresentações sobre o Brasil, muitas pessoas pensam que Brasil é só Carnaval e futebol. Aprendi muito também nessas apresentações, como a origem da festa junina, como surgiu o próprio Carnaval, dados numéricos sobre a população brasileira que desconhecia.
Um intercâmbio é sempre um ponto positivo na vida profissional, comecei a trabalhar em menos de uma semana depois que voltei do Japão e acredito que o fato de ter feito intercâmbio ajudou bastante.
F. Obara – Que experiência você trouxe para o Brasil depois desse período?
Maki - Da mesma forma que os estrangeiros pensam que Brasil é Carnaval e futebol, acredito que muita gente pensa que no Japão só existe peixe cru, gueixa, baseball e lutador de sumo. Sou da segunda geração e cresci no meio da cultura japonesa, mas hoje vejo que cresci dentro da cultura nipo-brasileira, uma mistura de duas culturas. Gastei quase todo o dinheiro da bolsa com viagens, calculava iene por iene para poder viajar nas horas livres, e não me arrependo de nada, aprendi muito nos lugares que fui. Não comprei quase nada de eletrônico, mercado tentador do Japão, as máquinas um dia ficam ultrapassadas, quebram e alguém pode roubá-las de você, mas ninguém vai poder tirar de mim as lembranças que tenho desse ano de bolsa.
F. Obara – Quais cidades visitou?
Maki - Conheci todos os lugares turísticos da província de Toyama, Gifu, Nara, Osaka, Kyoto, Tochigi, Tóquio, Chiba, Hiroshima, Hokkaido, Okinawa, Kobe, Himeji, Nagoya, Hamamatsu e Yokohama.
F. Obara – O que aconteceu nesse período que mais te marcou?
Maki - É difícil ponderar, foi um ano muito intenso. Tudo foi muito bom, ter viajado, conhecido pessoas de lugares que nem imaginava que existia, ter conhecido melhor minha família que mora no Japão também.
F. Obara – Agora que voltou, quais os seus planos para o futuro? O que está fazendo?
Maki - Estou trabalhando na área de assessoria de imprensa para uma grande empresa que tem os nikkeis como foco de clientes e pretendo continuar trabalhando para a comunidade nikkei.
F. Obara – Qual o seu recado para pessoas que têm o interesse em participar de um intercâmbio como você?
Maki - Eu recomendo, o mundo de bolsistas no Japão é algo que não existe. Aliás, muitos dos bolsistas ficam um pouco depressivos quando volta para o Brasil porque fica mal acostumado com a vida do Japão. Estou a disposição para tirar qualquer dúvida para aqueles que queiram ir. É uma experiência que vale muito a pena.
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