Estudante resgata antigo bailado Okinawa
Maio 8, 2007
Muitos jovens que ingressam na universidade pouco conhecem os desafios que encontrarão pela frente. Principalmente para a grande maioria dos estudantes, que quase nunca travou contato com o mundo profissional escolhido. Mas exceções existem e, se todas as exceções fossem como a da paulistana Cíntia Toma Kawahara, hoje com 23 anos, não haveria tanta desistência no meio dos cursos e, com certeza, mais satisfação nos estudos.
Formada no ano passado em bacharelado e licenciatura no curso de Artes Corporais, pela Unicamp, Kawahara viu na universidade a chance de trazer à tona uma arte tão presente na vida dos seus antepassados. Foi a fundo e, com muita pesquisa, se tornou uma das sumidades quando se trata da tradicional Dança de Okinawa. Destacou-se, também, pelo ineditismo sobre a técnica, a origem e a documentação das sete principais danças clássicas japonesas: Amaká, Chikuten, Mutunuchibana, Shudun, Yanaji, Kashikake e Nufa bushi. Em entrevista ao Folha Obara, a estudante conta um pouco da trajetória da Dança de Okinawa e revela quais são as suas expectativas sobre o projeto.
F.Obara - Quando foi despertado o interesse em você para resgatar a Dança de Okinawa?
Cíntia - Meu interesse em iniciar a dança de Okinawa nasceu durante uma disciplina “Danças Brasileiras” da faculdade, no primeiro ano de curso, em que foi dada a importância de se resgatar a história e raízes pessoais para se criar a própria dança. Minha mãe é de Okinawa, e meus avós sempre estiveram envolvidos com a dança. Desde então, o meu interesse foi crescente, e acredito ter criado uma base para minhas composições coreográficas.
F.Obara - Há quanto tempo você desenvolve este trabalho?
Cíntia - Pode se dizer que a pesquisa se iniciou nessa disciplina, e se estendeu nos anos seguintes da minha formação, em que realizei dois anos de pesquisa financiados pelo PIBIC/CNPq, orientados pela professora doutora Inaycira Falcão dos Santos. Os projetos foram: “A dança Clássica Feminina de Okinawa”, e “A dança Clássica Masculina de Okinawa”.
F.Obara - Qual a influência da Dança de Okinawa e quais são as suas ramificações?
Cíntia - A dança de Okinawa tem influências da China, do Japão, e pode se dizer que de outros países do sudeste asiático, já que em sua história, teve contato comercial, e era rota de vários países do sudeste asiático. Okinawa foi um reino independente por muitos anos, somente depois foi anexado ao Japão, se tornando uma província deste. A dança de Okinawa pode ser dividida em: Dança Clássica (feminina- onna odori; masculina- nisai
odori; jovens – wakashu odori); Dança Popular (zo odori); Dança dos mais velhos (rojin odori); Dança “moderna”. Além disso existe o Kumiodori que é um drama cantado e encenado, e é, ao lado do Noh e Kabuki, considerado patrimônio intangível do Japão. Já algumas linguagens de dança clássica muito conhecidas no Japão, além da dança de Okinawa, são o Teatro Noh e o Kabuki.
F.Obara - Qual a origem do Amaká?
Cíntia - O bailado Amaká é um bailado clássico feminino, que faz uma analogia dos patos mandarins que nadam lado a lado na lagoa, com o amor de dois jovens. E diz que mesmo os dois jovens apaixonados estando longe, seus pensamentos e corações estão juntos, assim como os patos que deslizam sob a lagoa, lado a lado.
F.Obara - Quais são as suas expectativas com este projeto?
Cíntia - Minha expectativa é enriquecer o vocabulário de dança, com uma cultura que nem todos no Brasil têm acesso. Ou seja, de ajudar a tornar essa cultura mais acessível, tanto de informações, como de apresentações, pois além de ter uma beleza intangível. Porém, não com o intuito de impor uma cultura tradicional, mas sim, de buscar a essência do tradicional e transpor para os novos tempos.
F.Obara - E hoje, quais atividades você desenvolve?
Cíntia - Atualmente estou dando aulas de dança de salão e atualmente faço parte do Urizun, grupo de ex-bolsistas de Okinawa e de estudiosos da cultura Okinawana. Juntamente com esse grupo, estou desenvolvendo um projeto de um espetáculo sobre a imigração japonesa, enfatizando a okinawana, para o centenário da Imigração Japonesa, que ocorrerá em 2008. Pretendemos levar esse espetáculo ao público brasileiro não descendente, pois é uma cultura muito rica. Além disso, continuo desenvolvendo a técnica de dança de Okinawa com a mestra Setsuko Kanashiro, de Campinas, e estou fazendo apresentações de dança tradicional okinawana em muitos eventos da comunidade.
Entry Filed under: Entrevistas. .
Gustavo Abdel Massih
Trackback this post | Subscribe to the comments via RSS Feed