A modernidade dos Quimonos dá espaço a tradição

Maio 4, 2007

Patrícia Kondo 

O mais típico e tradicional traje japonês usado por homens e mulheres vence a modernidade e consegue sobreviver ao passar do tempo. O quimono deixou de ser uma roupa do dia-a-dia, e adquiriu uma utilização mais restrita para comemorações da maioridade, cerimônias, casamentos e eventos formais.

Ele pode ser caracterizado como um longo manto de seda, solto e com mangas amplas. Na cintura, o quimono é amarrado com uma faixa larga chamada obi. Roupas de baixo, meias e sandálias completam o visual. Para os homens, é permitido usar um tipo de calça que lembra uma saia (hakama) e um casaco amarrado com uma corda trançada (houri).

Existem estilos de quimonos para diferentes ocasiões e estado civil da pessoa. O furisode, usado pelas solteiras, possui mangas longas e estampa com desenhos grandes. O hakama, espécie de saia-calça, para ocasiões formais ou para a prática de artes marciais. O irotomesode é o quimono usado pelas casadas, com desenhos abaixo da cintura, mangas mais curtas, e que são usados pelos parentes dos noivos na cerimônia de casamento. O quimono mais informal é o yukata, que pode ser usado por pessoas de ambos os sexos e quaisquer idades. Eles são leves e utilizados em dias quentes, após o banho, pequenas festas e visitas aos templos.

A seda trabalhada dos quimonos eleva seus preços, por isso, o yukata, que é feito de algodão, é mais acessível, além de dispensar o uso de acessórios do vestuário tradicional. O comprimento é ajustado para que as meias e as sandálias típicas japonesas apareçam. As sandálias também têm estilos variados. O zôri, feito de palha e de madeira envernizada é usado por homens e mulheres. Possui solado plano, parte acolchoada na região do calcanhar, e costuma ser popular para o dia-a-dia. Para os homens, as sandálias são mais quadradas e, para as mulheres, mais arredondadas. Sua versão mais trabalhada pode ser utilizada em ocasiões formais com o quimono, as mais populares acompanham o yukata de verão.

O geta, outro estilo de sandália, tem sola de madeira lisa, que fica sobre uma ou duas plataformas de madeira (ha). De sola retangular e com tiras centralizadas (os dois pés são iguais), tem cerca de cinco centímetros de altura e são utilizadas no dia-a-dia por homens.

O marco do quimono nas eras:

• Era Heian (794-1185): Foi a época em que o quimono tomou a forma que possui até hoje. O quimono era formado por várias camadas, deixando à mostra as diferentes cores e texturas dos tecidos sobrepostos. Pessoas da corte chegavam a usar quimonos de até 16 camadas.

• Era Kamakura (1185-1133): Com a crescente influência da classe militar e guerreira, os japoneses não tinham mais paciência nem necessidade de usar quimonos elaborados demais. Foi a época em que entrou em moda o kosode (quimono com mangas curtas).

• Era Edo (1800-1867): A sociedade passou a definir o status social pelo quimono, que passou também a ser uma forma de expressão artística. Neste período surgiu o obi. Com o passar do tempo o obi feminino ficou cada vez mais incrementado. Os homens utilizavam-no para pendurar as suas espadas.

• Era Meiji (1868-1912): O comércio se abriu para o mundo ocidental. As mulheres também passaram a trabalhar fora de suas casas e começaram a dar preferências a roupas mais cômodas aos diversos tipos de trabalho.

• Era Taisho (1912-1926): Tóquio sofreu um grande terremoto que devastou a cidade durante esse período. Foi quando muitos dos antigos quimonos foram destruídos.

• Era Showa (1926-1989): A economia do Japão, que passava por uma grave crise, começa a se recuperar depois da guerra e o quimono passa a ser produzido em larga escala. A Europa e a América passam a influenciar também nos desenhos e motivos dos tecidos, mas a forma do quimono permanece intacta.

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